quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Extra 2 - Jogo da verdade

Jogo da verdade

-Juram dizer a verdade, somente a verdade e nada mais do que a verdade?
Os nove moveram a cabeça, numa afirmação. De repente, toda a tensão daquele juramento deu lugar à curiosidade a respeito do grosso livro de capa dura, que Hikari segurava e ao qual eles apoiavam as mãos para aquele juramento solene.
-O que é isso? – Anne fez a pergunta que se passava na mente de todos.
-É uma Bíblia? – Indagou Maire.
-Um Código de legislação? – Intuiu Ryan.
-Um livro real da coroa inglesa? – Questionou Sniper, sendo de pronto olhado torto pelos demais.
-Ah, não! – Respondeu Hikari, rindo – É só um livro grosso que peguei na biblioteca da escola. Era só pra dar um ar sério à brincadeira! Então, vamos começar?
Os nove – Maurício, Micaela, Anne, Shermmie, Ryan, Maire, Sniper, Hayato e Eric – se entreolharam. Tinham a ligeira impressão de terem entrado numa grande furada ao aceitarem a proposta da japonesa, de brincarem de “jogo da verdade” no salão da base. Segundo a adolescente, não havia nada melhor para fazer em grupo numa noite fria e chuvosa de sábado.
Ela lhes garantira que seria uma diversão saudável e inocente, mas o fato de Sofie não ter permitido que Live participasse da brincadeira denunciava que aquilo, de inocente, não teria nada.
A antiga Guardiã de Áries, aliás, anunciara que não tinha mais idade para aquelas coisas e resolveu ficar no quarto com Live. A verdade é que ela tinha medo de duas coisas: primeiro, da caçula da equipe resolver “fugir” para se juntar a brincadeira. E, segundo e mais importante: de ter que responder perguntas e falar de seu passado.
Já Qiang, preferiu dormir a ter que fazer parte de tamanha infantilidade (eles nem pareciam Guardiões! Pareciam mais com um grupo de adolescentes felizes!)
Então, eles se sentaram no chão, formando um círculo. Ao centro, havia uma garrafa que deveria ser girada pela pessoa que faria a pergunta. Aonde o gargalo parasse, indicaria a vítim... Ou melhor, quem deveria responder.
Como ninguém se oferecia para iniciar o jogo, Hikari se empolgou em fazer esse trabalho. E a primeira a ser questionada seria...
Shermmie!
-Você já... – Hikari começou, com o malicioso sorriso entre os lábios.
-O quê? – Shermmie aguardava o final da pergunta, com a mesma expressão séria de sempre.
-Já...
-Já o quê?
-Você sabe!
-Não vou saber se você não disser.
-Shermmie-chan – Sussurrou Anne, timidamente – Acho que ela está se referindo àquela coisa que só se deve fazer depois do casamento.
Shermmie ficou completamente vermelha. Sniper caiu na gargalhada.
-Está vendo? Até a Anne entendeu! Sei que é vergonhoso, pra uma garota já da sua idade, responder que não, mas...
-Idiota! Quem te disse que não?
A risada de Sniper, de súbito, cessou-se por completo. Shermmie encarou Hikari, e respondeu:
-Sim.
Surpresa geral. Mau colocou a mão sobre o peito esquerdo e começou a respirar pesadamente, como se estivesse tendo uma taquicardia. Como seria possível que “Shermmine” já... Já... JÁ!?
-Quantos anos tinha? – Indagou Hikari, surpresa.
-Isso já seria outra pergunta. – Shermmie respondeu. Ia pegar a garrafa, mas Sniper se adiantou em fazer isso e a rodou rapidamente, parando-a com a mão quando passava por Shermmie.
-Quantos anos tinha e com quem foi?
-Aguarde a sua vez antes de se meter a fazer perguntas. – Ela pegou a garrafa das mãos do inglês e a girou. Parou em Micaela. - Vejamos... Quando descobriu que gostava de garotas?
-Quando conheci a Maire.
-Nunca tinha se relacionado com outra mulher até então?
-Uma pergunta por vez. – Mic disse, tranquilamente. Pegou a garrafa e girou.
Agora, era a vez de Hikari.
Micaela a olhava, tentando pensar numa pergunta. Por fim, suspirou e disse:
-A única coisa que eu gostaria de saber de você, é... Por que você fala TANTO?
-Bem... – Hikari pensou por um instante. E disparou a falar – Acho que tudo começou quando eu tinha seis anos de idade. Eu tinha ido pra uma festa, e... Ah, mas era festa de crianças, vocês sabem como é, né?! Bolo, brigadeiro, essas coisas. Minha mãe tinha me levado, porque era aniversário de um coleguinha da escola. Eu estava muito triste, porque minha melhor amiguinha não tinha chegado ainda, e estava tudo tão, mas tão, mas tão chato... E não há nada pior do que uma festa chata, vocês têm que concordar comigo. Então... Onde é que eu estava mesmo? Sabem, eu costumo me perder nos assuntos, acho que acontece com todo mundo, não é? Teve até uma vez que eu estava apresentando um trabalho na escola, e...
Meia hora depois.
-...Aqueles brincos, definitivamente, não combinavam com nenhuma roupa que eu tinha. Mas o que eu poderia fazer? Era um presente e eu tive que aceitar. – Ela olhou ao redor e, só então, percebeu que todos dormiam – Er... Qual era a pergunta mesmo?
Todos acordaram de súbito. Sniper levantou-se num pulo.
-Está respondida, Miss Kari.
-Totalmente respondida! – Concordou Maire.
-Esclarecedor! – Disse Maurício.
-Então tá... – Resmungou Hikari. – Agora é a minha vez de novo, não é?
E ela girou a garrafa. Aflito para que chegasse logo a sua vez e, assim, ele pudesse fazer mais perguntas a Shermmie a respeito da revelação bombástica que ela fizera, Sniper parou a garrafa com a mão, quando a ponta desta passou por ele.
-Oh, god... Que coisa horrível! – Ele exclamou, fingidamente – É a minha vez.
Hikari o olhou, com a mesma expressão sacana com a qual olhara para Shermmie quando teve que lhe fazer uma pergunta. Ergueu uma das sobrancelhas e, de seus lábios, entreabriu-se um sorriso que Sniper consideraria como totalmente pervertido. Começou a suar frio, com medo da pergunta que a mestiça lhe faria.
E ela foi direta:
-Quantos centímetros?
Todos caíram de cara no chão. Com exceção de Anne, que não havia entendido a pergunta, e de Sniper que estava perplexo e vermelho demais para isso.
Ele abriu a boca... Gaguejou... Mas a resposta simplesmente não saiu.
Ao seu lado, Maire tentou conter o riso, mas não obteve muito sucesso.
-Qual a graça, Miss Goldsmith? - Ele indagou.
-Nenhuma... – Maire respondeu, forçando-se para não rir mais.
Aos poucos, os outros (com exceção de Anne que... Vocês sabem... não entendeu a pergunta) também começaram a rir, apenas para deixarem o inglês ainda mais sem jeito. Contudo, nada foi pior do que o comentário que Shemmie fez:
-Está sem graça pra responder, porque aposto que é minúsculo!
-Não diga bobagens! Eu não quero responder, porque... porque... Porque eu, sem querer, acabei esbarrando na garrafa, e foi por isso que ela parou em mim... Well, isso não vale e, pelo certo, miss Kari deve jogar novamente.
Rindo, Hikari fez o que ele pedira. Assim, girou a garrafa. Dessa vez, parou em Anne. A japonesa ergueu uma das sobrancelhas e, novamente, fez aquela cara de perversão suprema... Anne a olhava, piscando inocentemente e sem entender porque era olhada daquela maneira. Passou-se quase um minuto até que o rosto sacana de Kari deu lugar a um suspiro desanimado, e ela apenas indagou:
-Anne, quanto você calça?
-Er... Trinta e seis.
-Ótimo. Sua vez. Não tem a menor graça brincar com a Anne. Ela não entende as perguntas e, mesmo se entender, a resposta certamente será bem sem graça.
-Eu teria perguntas boas. – Comentou Sniper. – Do tipo: Miss Anne, quando está sem roupas, você...
Foi interrompido ao levar um, dois, três... Quatro socos, que o levaram ao chão. Quando levantou o rosto, encontrou Shermmie, Maurício, Ryan e Micaela, ainda com os punhos fechados. Os quatro pareciam nervosos.
-Não perverta uma alma pura como a de Anne-san! – Disse Ryan, antes de voltar ao seu lugar.
E os outros três fizeram o mesmo. Sniper fez bico.
-Vamos, Miss Anne, é a sua vez de jogar.
Confusa com a situação, Anne fez o que lhe era pedido. Pareceu feliz quando a garrafa parou em Ryan.
-Quantos anos tinha... Quando... – Ela abaixou a cabeça, timidamente. Eles ainda pensaram que tipo de pergunta ela faria, mas não foi nada de tão constrangedor assim no meio de adultos -Quando deu o seu primeiro beijo?
Ryan sorriu e respondeu:
-Doze.
Eric pareceu surpreso:
-Brother... Eu achava que tu era BV até hoje!
-De onde tirou isso, Eric?
-Ah, sei lá, meu... Tu tá sempre estudando tanto.
-Você conheceu algumas de minhas namoradas, Eric. Achou que eu nunca as beijasse?
-Nunca fez isso na minha frente.
-Porque eu não suporto intimidades em público.
-Eu não me importo em agarrar a fofuxinha em público.
-Porque você é um imoral!
Anne continuou com seus olhos fixos em Ryan. E, quase que sem se dar conta, indagou:
-Quantas namoradas você teve?
Ryan a observou. Percebeu que ela tinha um olhar ao mesmo tempo curioso e... Que expressão de desânimo e preocupação seria aquela? Seria... Ciúme?
-Uma pergunta por vez, Anne. – Disse Maurício.
Anne, sem graça, desviou os olhos para o chão. Ryan ainda permaneceu confuso com aquilo. Mas, logo, tratou-se de "desencanar". É claro que Anne não estaria com ciúmes dele. Por que estaria? Na verdade, ele até desejou que fosse isso...
Desvencilhando-se disso, pegou a garrafa e girou. A pergunta agora seria feita para Maurício.
Obviamente, Ryan não faria nenhuma pergunta que julgasse como imoral.
-Vejamos... Como era viver numa casa com cinco mulheres? Bem, seis, se contar com sua mãe.
-Ah, eu vivia mais no Rio do que em Goiás, onde minha família morava, mas sempre passava as férias lá. Isso é, quando o pai da Shermmine me dispensava do treinamento. E, sobre ter que conviver com seis mulheres... Era normal! Sutiã na maçaneta da porta, absorvente na pia do banheiro, cabelos enormes no meu pente... Só não era muito agradável em época de TPM. Ah, que saudade das minhas donzelinhas!
-“Donzelinhas”? - Resmungou Shermmie. – Cai na real, Mau! Certo, para as caçulas eu até dou um desconto, porque elas ainda estão muito novas, mas... Maria Eduarda e Marcela, as mais velhas... Só você sendo cego pra não notar o que aquelas duas aprontam!
-São coisas normais à juventude!
-Normais? Pois, ao meu ver, elas são saidinhas DEMAIS!
-Olha quem fala! E eu que achava que você fosse uma garota pura. Estou desapontado contigo.
Shermmie ficou completamente vermelha.
-Mas é diferente! E foi só uma vez!
-Verdade? – Sniper entrou na conversa. – Quantos anos tinha e com quem foi?
Shermmie encarou o inglês, de forma nada amigável.
-Não te interessa!
-Certo, Shermmine – Disse Mau – Depois conversamos sobre isso. Minha vez!
E Maurício girou a garrafa. Parou em Eric.
O brasileiro foi rápido e direto:
-Quando foi a sua primeira vez?
Eric pareceu feliz em responder:
-Foi há dois anos, três meses, catorze dias e... Que horas são?
Todos pareceram espantados pelo fato de Eric lembrar o tempo exato daquilo. Entretanto, a surpresa maior foi de Ryan:
-Como assim dois anos?
-Foi com a fofuxinha, oras! Tudo que ocorreu antes dela foi apagado. As mulheres anteriores a ela não têm a menor importância na minha vida e não devem ser lembradas. Minha vez!
Ele girou a garrafa. Parou em Shermmie. No mesmo momento, Sniper começou a gesticular nervosamente para Eric, tentando fazê-lo entender a pergunta que deveria ser feita. Não poderia deixar passar aquela oportunidade, afinal, as probabilidades de a pergunta voltar a ser feita para Shermmie, num grupo de nove pessoas não eram tão grandes assim.
De pronto, o pisciano pareceu entender o que Sniper queria lhe dizer. Tanto que fez o sinal de “ok” com os dedos, Então, olhou para a leonina e disparou a pergunta:
-Qual a sua música favorita dos Beatles?
Sniper caiu de cara. Achava que nada poderia ser mais revoltante do que aquela “lerdeza” do amigo americano. Contudo, seu ódio pareceu triplicar quando Shermmie respondeu, com desdém:
-Beatles? Acha que eu escuto essas velharias?
-Como ousa chamar “The Beatles” de velharia?
-Eles são novos, por acaso?
-Tô vendo que você não entende nada de boa música!
-Hunf... – Sem dizer mais nada, Shermmie girou a garrafa. Dessa vez, a “premiada” foi Maire – Hm... Fale um pouco sobre seus relacionamentos anteriores.
Maire olhou para Micaela, um pouco receosa de que a loira pudesse se incomodar com a resposta. Não gostaria de falar sobre aquilo, mas sabia que estava sob juramento... Ainda que fosse um juramento feito diante de um livro de Ensino Médio.
-Bem... Antes de conhecer a Mic, eu... Fiquei noiva de outra pessoa, por um ano e meio.
-Noiva? – Assombrou-se Eric. – E você ia poder casar, assim, de verdade, com....
-Elementar! – Sniper o interrompeu. – Não seja mal informado, my friend! A Irlanda é uma país ultra-desenvolvido. O casamento homossexual é permitido por lá.
-Não seria na HOLANDA? – Questionou Ryan.
-Ué, e não é tudo a mesma coisa?
Maire riu, e explicou:
-Eu era noiva de um homem, obviamente. Era um primo de consideração. Nos conhecemos desde crianças. E, quando terminamos, ficamos numa boa. Somos amigos até hoje. Tenho até uma foto dele no meu celular.
Ela apanhou o celular e começou a procurar pela foto. Quando a encontrou, entregou nas mãos de Shermmie. Os demais (com exceção de Micaela que já conhecia o rapaz) se aglomeraram para também verem a fotografia.
-Uau! – Gritou Hikari, mal escondendo sua admiração diante da imagem de um loiro de olhos azuis – Que gato!
-Com todo o respeito a Angeli... – Disse Shermmie, também admirada com a foto – Maire, você não pode ser normal pra dispensar um cara desses.
-Qual é? – Indagou Sniper. Olhou torto para o homem da foto, em seguida olhando para Micaela – Eu prefiro mil vezes a Angeli. Vai ser gostosa assim lá em casa!
E, novamente, Sniper viu-se sendo socado. Dessa vez, por apenas duas pessoas: a loira a qual ele cantava e Maurício.
-Seja mais respeitador! – Resmungou o taurino.
Maire pegou seu celular de volta, e continuou a responder:
-Bem, e antes dele... Digamos que eu tenha sido bastante namoradeira. E, depois, eu comecei a me relacionar com mulheres. Antes da Mic eu fiquei com... – Ela olhou para Micaela e notou que ela parecia bem incomodada com aquilo – Er... Bem... Com algumas. Poucas. Nada demais.
-Quantas? – Questionou Sniper.
-E quantOs? – Indagou Hikari.
Maire pareceu pensativa, como se se perdendo em contas mentais.
-Digamos que... Eu tenha sido uma jovem bastante popular. Bem, mas é a minha vez de fazer perguntas, não é?!
Na sequência, era a vez de Hikari responder a uma pergunta.
E Maire foi direta em seu questionamento:
-Fala tanto sobre sexo... Na prática, o que entende sobre isso?
-Só o que leio ou o que me contam! Não me olhem desse jeito! Sou uma menina de corpo puro e imaculado! *-*
Sniper zombou:
-Já sobre a mente, não podemos dizer o mesmo, não é Miss Kari?
-Hunf... É minha vez de novo!
E a apreensão foi grande quando Hikari girou a garrafa. E muita surpresa quando esta parou em Hayato. O japonês permanecera tão quieto durante a brincadeira que eles já haviam, até mesmo, se esquecido de sua presença.
-Toshihiko! – Hikari vibrou – O que eu gostaria de saber é... Você era virgem antes de conhecer a minha mãe?
-Logicamente. – Ele respondeu, encarando-a seriamente – Esquece que eu tinha oito anos quando a conheci?
-Mas isso é pedofilia! – Assombrou-se Eric.
Bufando, Hayato explicou:
-Eu a conheci aos oito anos, na época em que a antiga geração de Guardiões se uniu para tentar lacrar a barreira. Depois disso, passei anos sem vê-la. Começamos a nos relacionar mais de dez anos depois disso.
-Certo. – Disse Hikari – E você era virgem antes de começar a se relacionar com ela?
-Kari, eu não conhecia esse seu lado tão pervertido. Mas será que você só pensa nessas coisas?
-Hunf... Num jogo da verdade a gente se solta, né?!
-O que sua mãe diria se visse isso?
-Ela não precisa saber... E pára de bancar o meu pai!
-Estou decepcionado contigo.
-Também, não quero mais brincar! Eu passo a minha vez!
-Demorô! – Comemorou Sniper, apanhando a garrafa e girando.
E, para ele, foi como se os céus estivessem se abrindo e uma luz angelical iluminasse todo o ambiente, quando a garrafa parou em... Shermmie!
-Droga! – A brasileira resmungou.
-O que foi? – Indagou Maurício, tentando disfarçar sua revolta – Está com medo de contar sobre sua vida secreta?
-Qual é a sua, Mau? Vai ficar me condenando agora? Poxa, todo mundo comete erros na vida!
-Então considera isso como um erro? – Sniper se meteu na conversa – Se é assim, me responda: quantos anos tinha e com quem foi?
Mas ele foi devidamente ignorado pela garota, que continuava a discutir com o amigo de infância:
-Pare de me julgar, Mau!
-Não estou te julgando pelo que fez. Só acho que não deveria ter me escondido esse fato!
-Entendo como é isso. – Opinou Micaela, olhando para Maire – Falta de sinceridade é um problema em qualquer tipo de relação.
-Mic! – Maire se assombrou – Mas eu nunca menti pra você.
-Não me contou que tinha uma foto daquele sujeito no seu celular.
-Mas eu não vi qualquer maldade nisso. Sabe que ele é meu amigo!
-Eu também me sinto traído! – Revoltou-se Eric, encarando o irmão.
Ryan ficou perplexo com a atitude do irmão caçula.
-Como “traído”?
-Você não confia em mim, brother! Nem pra me contar que já tinha experiência com minas!
-Eu achei que lhe fosse óbvio!
-Mas não era!
-Claro... Nada é óbvio pra você, não é?!
-Será que vocês podem parar de brigar? – Protestou Sniper – Está na vez da fraquinha responder à minha pergunta!
-Que jogo idiota. – Resmungou Hayato, sendo de pronto olhado torto por Hikari.
-Ninguém te obrigou a participar dele.
-VOCÊ me obrigou. Praticamente me arrastou até aqui.
-Se arrependimento matasse, eu estaria mortinha e enterrada por essa decisão.
Então, começou um falatório desencontrado, de discussões entre eles. Sniper desesperou-se:
-Ei, peraí! Deixem pra brigar depois. Logo na minha vez de fazer perguntas? Parem! PAREM! - Seu grito foi em vão, pois ninguém sequer o olhou.
Ele suspirou, em desânimo. Nisso, olhou para a única pessoa, além dele, que não estava envolvida em discussão alguma. Anne parecia assustada (e confusa) com todo aquele bate-boca.
-Miss Anne?
Ela o fitou.
-Sim?
Percebendo que ninguém estava olhando, Sniper mexeu na garrafa, posicionando-a virada em direção à canceriana. Não perderia a oportunidade de fazer sua pergunta. Se não fosse com Shermmie, ao menos conseguiria arrancar algo de interessante de Anne.
-Me diga, miss Anne... Quando está sem roupas, você...
E ele foi impedido de concluir por um, dois, três, quatro... Oito socos que o atingiram, levando-o ao chão.
-Idiota! – Gritaram os agressores, em coro.
Anne piscou, ainda mais confusa do que antes.
-Sniper... Tá doendo? – Ela indagou, preocupada.
E aquela foi a última pergunta da noite.

-----------------------------------------------------------------------------

Postado originalmente em 23 de maio de 2008

6 comentários:

Karina Tiemi disse...

Hahahahha
Tinha que ter sido idéia da Hikari ¬¬!
E as perguntas que ela faria...Certamente eu teria feito haahhaahha!


Hayato-mala-mor-e-sem-graça! =P

E Sniper, como sempre, impagável hahahaha!

Beijosss

elidian20 disse...

Ameeeiiii,Lucy.
Morri de rir!!!!!!!

Anônimo disse...

PQ essa parte não ta no livro?????

Ana Carolina Nonato disse...

A-M-E-I! Ri muito, rs! Adoro o Sniper, tadinho do rapaz...

Natallie disse...

"Mau colocou a mão sobre o peito esquerdo e começou a respirar pesadamente, como se estivesse tendo uma taquicardia."
Por isso que adoro o Mau!
Esse jogo sempre é divertido e sempre deixa todo munda na maior saia justa. Adoraria ter participado desse jogo e ter chance de perguntar pra cada um. Adorei seu extra!

Mireliinha disse...

hahahahahahahahahaha, adorei!!!
Ryan, seu lindo! <3 <3

Mi