sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entrevista - Josiane Veiga

Oi, amigos!

Hoje estreamos a nova seção do blog - Entrevistas! \o/Trarei sempre que possível entrevistas com autores nacionais *_*

Hoje, nossa vítima-cobaia da vez, é a querida Josiane Veiga, autora do livro A Insígnia de Claymor, que já foi resenhado aqui, além do "A Rosa Entre Espinhos" que temos sorteio rolando no blog, dentre outros.


Como nasceu a Josiane escritora?

Costumo dizer que o dom sempre esteve comigo.
Era do tipo que não aceitava imposições; dessa forma, professora nenhuma me convenceu a ler um livro ainda criança. Aos dez anos, já entrando na pré adolescência, de vontade própria fui até uma biblioteca, e li meu primeiro romance. Foi um passo para começar a escrever. Aos doze, já vencia um concurso cultural municipal e tinha minha primeira história lançada (um romance espírita).
Então vieram os fanfics, e os originais escritos na internet. Comecei a ganhar uma certa “fama” e isso me abriu as portas.

Quais as suas maiores influências na literatura?

É difícil dizer quem foi o maior influente. Creio que o autor que me conquistou totalmente foi Alexandre Dumas, mas seria injusto dizer que só ele me fez sentir necessidade de criar minhas próprias histórias. Hermann Hesse, Moacyr Scliar, Tolkien, entre outros, foram companheiros da minha adolescência.

Antes de publicar suas obras em livros, você passou mais de uma década postando suas histórias – fanfics e originais – na internet, certo? No decorrer desse tempo, você foi uma grande vítima do plágio. Fale um pouco sobre isso.

Acredito que das autoras virtuais, poucas foram tão plagiadas quanto eu. Já perdia a conta de quantas vezes minhas histórias eram publicadas por outros “autores” que apenas trocavam algumas palavras ou o nome dos personagens. Alguns, sequer isso. Davam um “copiar e colar” na cara dura, ganhando todos os créditos pelo MEU trabalho.
Dois momentos de plágio que me marcaram:
1º Uma fã de uma banda japonesa pegou a minha “Meu futuro é com você” do anime Inuyasha e trocou o nome dos protagonistas, publicando como se fosse uma fic dela e da banda. Quando soube, fui reclamar, e as amiguinhas dela enlouquecidas começaram a me atacar. No final, parecia que a errada era eu, sendo que estava apenas protegendo uma história de propriedade MINHA.
2º Uma moça pegou a mesma historia e publicou no orkut. Nada demais, se não fosse o fato de que ela chantageava os leitores com frases do tipo: “quero mais cinco comentários, senão não atualizo”. Fiz uma revolução. Ela ficou com tanta vergonha que até apagou o perfil.
Sinceramente, não ligo de parecer barraqueira se é pra defender o que é meu.

Quando publicamos nossos textos na internet, ficamos suscetíveis a comentários de todos os tipos, de elogios a críticas, tanto as construtivas quanto – infelizmente – as destrutivas. Em algum momento alguma dessas críticas te desestimulou a ponto de te fazer pensar em desistir?

Já falei sobre isso em um site. Vocês podem ler aqui: http://t.co/CoYRDJ8, mas admito que, após o começo tumultuado, não recebi muitas criticas, e os elogios sempre foram uma marca nos meus trabalhos. Mas, sim, já aconteceram situações que certas pessoas tentaram me desmotivar. Superei como sempre supero tudo na vida: esbravejo, xingo o mundo, e me acalmo. Nessa ordem.


Em suas histórias, você trabalha com vários cenários e épocas diferentes, e é notória a pesquisa histórica que realiza em casa obra. De todas, qual a que te deu mais trabalho, seja pela complexidade ou pela escassez de informações?

Acreditem se quiser, eu, uma autora que já escreveu uma história medieval de tortura religiosa, sofri mesmo é com Rendição: um livro contemporâneo. Na verdade, sobre o momento histórico e geográfico do livro eu tinha total controle. O maior desafio era a vilã: Audrey Morgan. A moça em questão, estrangeira que ia ao Japão para destruir o romance do ídolo, na infância havia sido submetida a tortura pela mãe e violência sexual pelo padrasto. A narração desses momentos difíceis até que não foi complicado, mas fazê-la perceber que o trauma estava enlouquecendo-a e lidar com o tratamento para vitimas de abuso foi realmente difícil. Somente após começar o livro foi que notei quão poucas são informações disponíveis sobre o tema. Restou-me entrevistas com vitimas de abuso via msn. No entanto, pelos elogios que a obra está recebendo, creio que dei conta do recado.


Vemos sempre em seus livros a inserção de temas polêmicos, tais como homossexualidade, estupro, pedofilia, prostituição, suicídio, entre outros. Na sua opinião, qual a importância de se falar de coisas que ainda são vistas como tabu ou, o que é pior, são constantemente tratadas de forma leviana e irresponsável?

Eu acredito que alguém tem que falar disso, então eu falo.. Acreditem, já recebi muitas criticas por isso. Homossexualidade ainda é tabu, apesar dessa falsa mascara de aceitação que domina a sociedade. Comentários como “que nojo!” ou “por que você narrou a cena sexual com tanto detalhismo?” foram frequentes. A pedofilia também foi duramente negativada por alguns leitores. Nenhum me dizia pessoalmente, mas eu lia em conversas virtuais entre eles que alguns achavam que esse tipo de tema não devia ter sido exposto em Rendição. A verdade? Ninguém quer mostrar os problemas. E, quando mostram, é da forma mais delicada possível. Não sou assim. Exponho claramente, porque alguém tem que fazer.


O que você diria para quem está começando a escrever e sonha em publicar um livro?

Nunca desista. Mas, esqueça essa fantasia de ficar rico ou conhecido da noite para o dia. Ser autor (ainda mais no Brasil) é certamente um caminho árduo e complicado.


Fale brevemente sobre seus livros e como fazer para adquiri-los?

Os três livros foram lançados pelo Clube de Autores. E as três obras são polemicas e um tanto chocantes.


Meu primeiro original. Lido com o fanatismo religioso, o estupro e o perdão (este último, basicamente esquecido na literatura). A história se passa em 1842, na Inglaterra, e o pano de fundo é o assassinato de uma bela lady, noiva do duque da região.


Um romance medieval, que narra a vida de uma estranha família (os Claymor). Jehanie (a protagonista) é o grande amor do próprio irmão, Alexei, que faz de tudo para afastá-la do mundo, para que ela viva apenas para ele. No entanto, um dia ocorre uma emboscada e a moça perde a memoria e a localização. É encontrada por um dos inimigos de Alexei, Daniel, e ambos se apaixonam. IDC fala de tortura psicológica, tortura física, incesto e demais temas polêmicos. Será uma trilogia.


Rendição também faz parte de uma trilogia (Rendição, Redenção e Remissão). Rendição é o meu xodó, já que foi de longe meu maior sucesso literário. Conta uma história de amor idealizada (diferente dos livros acima) entre dois homens. Eles são almas gêmeas, e não podem viver longe um do outro. Mas, são japoneses, e encaram o preconceito de uma forma cruel. As dificuldades familiares, a homofobia, a industria do entretenimento do Japão, são o pano de fundo pra essa história que também traz pedofilia, estupro, religião e idolatria como temas.


Bate-bola:

Um autor: Você e Melissa Araujo.
Um cantor: Ninomiya Kazunari.
Um filme: Takumi-series
Um livro: O senhor dos anéis.
Uma frase:

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante."
Albert Schwweitzer ( Nobel da Paz - 1952)

Um gênero: Yaoi
Um personagem masculino (seu): Adam Morgan
Um personagem feminino (seu): Audrey Morgan
(Audrey, de Rendição, é a versão feminina de Adam, de IDC)


Obrigada a querida Josy por topar participar da primeira entrevista do meu blog (cobaia! \o/) e por ser sempre tão fofa e simpática! =) ...E por me citar nos autores favoritos (morri aqui, juro! rs)

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Espero que tenham gostado. Aguardem, que logo trarei outra entrevista pra vocês!

Beijos!

12 comentários:

Josy-chan disse...

AHHH Lucy, so fui sincera! Muito obrigada por seu carinho^^ valeuuu mesmo.. te adoro!

Suellen disse...

Nossa! Josy esta famosa. =D Mas até imagino o que Josy sofreu com esse "espertinho" uma vez até vi o desenrolar dos fatos do povo sem imaginação.

Parabéns pelo sucesso e o espaço que conquista a cada dia. Ainda bem que Josy não é feito um maluco que falou que o primeiro capítulo do livro dela tinha erro de poruguês, esse ai pensa que vai conseguir sucesso escrevendo barbaria do outros.

Sem mais delonga quero um autografo da minha querida amiga.

Sorte!

Rafaela Rocha disse...

Além de escritora, Lucy Atacando de entrevistadora /o/

Parabéns as duas =D

www.escapismo.xpg.com.br

Carissinha disse...

Adorei essa entrevista. Fiquei com muita vontade de ler os livros.

Beijos!
Arte Around The World

Paola Scorpio disse...

Oba, uma entrevista decente! (de todas as entrevistas de autores que li nos últimos tempos, só gostei de duas, contando essa. As demais traziam perguntas irrelevantes e muito puxa-saquismo.) Mais que decente, aliás: deliciosa.

A Josy é sempre uma fofa, mesmo. Mas essa entrevista trouxe várias innformações que eu desconhecia - e, de quebra, ainda me deu alguma vontadd de ler rendição, coisa que, sinceramente, nunca tive.

Na minha opinião, o que falta para a Josy é algo que tu tens de sobra (ou algo que fazes muito bem): publicidade e visibilidade. Enquanto tu consegues tocar o blog, criar uma lojinha virtul cheia de produtos de merchandising, fazer parcerias mil, lançar teu livro em eventos e coisas to tipo, a Josy parece ficar muito mais quietinha... Enfim, ela faz muito pouca propaganda de si mesma, e isso torna ainda mais difícil o reconhecimento do grande público.

E este é mais um motivo pelo qual adorei a entrevista: abriu-se um espaço de visibilidade e de divulgação, tanto da autora quanto de sua obra. Repito: independentemente dos inúmeros elogios que já li sobre Rendição, foi esta entrevista a única responsável por me fazer ter curiosidade pelo livro (não menciono os outros dois porque não apenas os li, como também fui a revisora, de ambos). Espero, a partir de agora, ver mais espaços de divulgação da Josy, para que ela possa realmente mostrar a que veio. Sorte, garota! O céu é o limite!

Josy-chan disse...

Bom Paola, o q posso dizer? Eu não nasci com o marketing..hahaha.. na verdade, Rendição tem mtos leitores, e vendeu bem... teve meninas que compraram que emprestaram pra colegas no colegio, e os mesmos colegas compraram também... vendeu, deu frutos, aliás, tantos frutos que eu fui vitima de bulling de alguns autores como a propria Lucy ja narrou no blog.... mas... eu realmente nao tenho a menor vontade de criar blog, manter, etc..

Eu não tenho essa coisa do desespero de ser lida. Vou divulgando conforme dá, e to feliz com o que conquistei até agora.

Tem mtos fandoms que conhece meu nome, e tem gente que me lê de verdade. Rendição, por ex, já foi traduzida pro Ingles, que é uma conquista...


Enfim... brigadaa pelo seu apoio sempre

Paola Scorpio disse...

Eu entendo tua posição, Josy, e nem estava te criticando. Eu também não teria saco de fazer tudo o que a Lucy faz (ou metade disso, que seja). Apenas eu acho que mereces ser conhecida fora dos mesmos espaços de sempre. :D

Josy-chan disse...

a Lucy me indicou participar do book tour. Provavelmente, farei isso. Só preciso arrumar grana pra investir uns meus livros em alguns selos, mandar pra algumas pessoas afim de ver resenhado..
talvez lá por agosto...

Samila Lages disse...

Adorei a entrevista! Foi... Revigorante lê-la! lembrou que tenho que voltar a escrever XD
Sucesso Josy! =*

Meus blogs - Fernanda Rocha disse...

Olá...que livros interessantes...só não localizei na entrevista um link (blog / site) sobre a autora. Eu que não vi ou ela não tem? Fiquei interessa em saber mais... abraços.

Dani Marreiros disse...

Nuss, sou lerda e só agora tô vendo essa entrevista!
Concordo com a maior parte (senão tudo, que a Paola disse)
Eu tô mega-feliz com a oportunidade de conhecer o trabalho da Josi!
Até então não a conhecia, mas com a recomendação da Lucy não tive dúvidas de que precisar conferir e conhecer pessoalmente!
Um grande abraço as duas!
Bjoks
Por Trás das Letras

Meus blogs - Fernanda Rocha disse...

Há! E citei este post tb, hehe, bjuss.


http://trilhasdefernanda.wordpress.com