terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Conto-extra de Natal




Olá, meus queridos! Tudo bom com vocês?

Como prometido, trouxe hoje um conto extra de Guardians, especial de natal =)

Não tem spoiler. Então qualquer um que tenha lido apenas o volume 1 já pode ler.

O extra foi originalmente escrito em 2008 e publicado no antigo blog de Guardians. Porém, foi reescrito e aumentado um pouco. Gostaria de aumentar bem mais, na verdade. Minha ideia era dar destaque a todos os personagens. Porém, a gripe resolveu me pegar bem na semana de natal, então acho que não consegui dar o meu melhor nessa nova versão do extra =( Peço desculpas por isso, e torço para que, ainda assim, vocês se divirtam e se emocionem com essa história natalina.  (e perdoem os erros, por favor! Acabei de finalizá-lo! Bem no dia do natal, então sem tempo pra revisões =/)

Em resumo, é isso. Dedico esse extra a todos os meus queridos leitores, que tanto me apoiam nessa jornada. E desejo que, assim com a Live, o natal de vocês seja muito especial, na companhia das pessoas que vocês amam.

Muitos beijos a todos! Feliz natal! =)

OBS:

*Trata-se de um conto-extra, que portanto não corresponde cronologicamente a nenhum momento específico da história oficial de Guardians.

*A ilustração acima foi feita por Ana Claudia Coelho em 2009, e não corresponde nem ao extra, nem a nenhum momento da história oficial de Guardians.

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Amigo-secreto


Jingle bells, jingle bells, jingle all the way

Hikari parecia uma criança extremamente feliz, enquanto decorava um pinheiro, colocado bem ao centro do salão da base, com enfeites natalinos.

De pé ao seu lado, Live não compreendia o motivo de tanta empolgação.

— Eu não entendo essas coisas. — ela resmungou, curiosa.

— O quê? – indagou Hikari, sem parar o seu trabalho.

— Isso de natal. — a indiana respondeu. Olhou ao redor, observando a decoração natalina que os demais Guardiões organizavam no ambiente — Por que é tão importante?

— Oras! Você não sabe? — questionou a ariana, como se tudo fosse extremamente óbvio.

— Não. — respondeu a mais nova, já ficando irritada com o fato de, aparentemente, apenas ela não entender a importância daquela data.

Aproximando-se das duas, Maire explicou:

— O Natal é uma festa cristã, em que celebramos o nascimento de Jesus Cristo.

— Isso! – confirmou Hikari.

Mas a resposta não explicava para Live os motivos da empolgação da japonesa:

— E você é cristã, Kari-chan?

— Bah, e o que isso tem a ver?

Live, novamente, se irritou. Achando graça, Maire ia dizer alguma coisa, mas Ryan se aproximou, começando a ajeitar os enfeites que Hikari colocava (tortos e desalinhados, na opinião dele) na árvore. Enquanto fazia isso, explicou:

— Independente da religião das pessoas, o natal é uma comemoração familiar. Todos se reúnem ao redor de uma mesa farta e agradecem a Deus por sua família.

Nesse momento, Eric passou por eles carregando um fio com lâmpadas coloridas. Enquanto andava e sacudia a ponta com a tomada (solta), indagava:

— Alguém sabe onde eu aperto pras luzes acenderem? Acho que está com defeito.

Diante disso, Ryan suspirou, em desânimo:

— Na parte da família, ao menos a gente tenta se consolar, pensando que poderia ser pior. Vem cá, Eric, vou te ensinar a magia da eletricidade! — E ele seguiu o irmão.

Para Live, a última explicação foi a que fez menos sentido. Sabia que existiam inúmeras pessoas ao redor do mundo que não tinham família. E, especialmente em seu país, estava habituada a ver muita gente que nem tinha o que comer, quem dirá uma mesa farta.

— Então, Live-chan, isso é o Natal! — Hikari informou, com seus olhos brilhando de emoção — Mas, antes de qualquer coisa, é o dia em que se ganha presentes, mesmo que não seja nosso aniversário!

Novamente, Maire abriu a boca para dizer algo, mas deixou aquilo de lado ao ver que, num canto do salão, Maurício parecia atrapalhar-se ao tentar, sozinho, prender uma faixa com os dizerem “Merry Christmas” numa parede. Correu para ajudá-lo.

Enquanto Hikari continuava a cantarolar alguma musiquinha natalina, Live se afastou em direção aos quartos. Ao chegar ao seu, encontrou Micaela sentada na cama de casal, fazendo qualquer coisa em seu laptop. Lentamente, aproximou-se e sentou-se ao seu lado.

— Tia Mic?

— Hm? — resmungou a loira, sem desviar os olhos da tela do computador.

— O que é o Natal?

— É um feriado disfarçado de cristão e familiar, quando na verdade é apenas a data mais capitalista e hipócrita do ano, quando as pessoas gastam o dinheiro que não têm, comprando coisas que não querem, pra pessoas que não gostam.

Live franziu a testa. Enfim, tudo fazia sentido.

Reparou que Micaela parecia entretida em algum trabalho no computador.

— O que está fazendo, tia?

— Nada de importante.

Curiosa, a menina debruçou-se para ver o que Mic fazia. Ficou surpresa ao deparar-se com uma foto.

— Quem é essa menina? — Live olhou para Mic, em seguida tornando a olhar para a tela — É você?

— É.

— Nossa! Você é muito mais bonita hoje em dia.

A sinceridade do comentário não surpreendeu Micaela.

— Eu tinha a sua idade e não era uma adolescente muito simpática.

Live concordava com isso, mas optou por não comentar a respeito. Na foto, Mic parecia bem alta para uma menina de doze anos, usava óculos e aparelhos nos dentes. Os cabelos eram mais compridos e estavam presos.

— E esses são os seus pais? — a indiana apontou para o casal que aparecia na foto, abraçando a garota.

— São, sim. — parecendo incomodada, Micaela fechou o laptop.

Não percebendo o incômodo da italiana, Live insistiu no assunto:

— Sua mãe era bonita!

— Ainda é.

— Era alguma ocasião especial?

Micaela deixou-se cair deitada na cama e, fitando o teto, respondeu:

— Era. Quando os natais tinham alguma importância para mim.

Finalmente, Live se deu conta de que aquele assunto incomodava a loira e sentiu-se sem graça por ter insistido naquilo. Para sua sorte, em poucos segundos a porta do quarto se abriu e Maire chegou para quebrar o silêncio que se instalara ali:

— Aí estão vocês! — a ruiva disse, sorrindo — Já vamos começar a troca de presentes, venham!

Ao ouvir aquilo, a indiana se animou. Não com o presente em si, mas com a brincadeira de “amigo-secreto” que Maurício havia proposto ao grupo dias antes.

Num pulo, a menina desceu da cama e correu até o armário onde tinha guardado o presente que comprara.

— Andem, vamos logo! – ela gritou, empolgada, antes de sair do quarto.

Achando graça, Mic e Maire a seguiram (também levando os seus presentes). Ao chegarem ao salão, todos já se encontravam ao redor do grande círculo que, no piso, representava os doze signos dos Guardiões. Sofie também estava lá, ao lado da filha Hikari. Até mesmo Qiang participava da brincadeira, apesar de sua seriedade habitual.

Empolgada, Live logo correu para o centro do círculo e gritou:

— Quem começa? Quem começa? Pode ser eu?

Todos (com exceção de Qiang), riram. Aquelas “coisas de natal” pareciam animar bastante a menina hindu.

— Pode! — Hikari concordou — A gente deixa, mas só porque você é criança.

O sorriso de Live se desfez, dando lugar a uma expressão contrariada.

— EU não sou criança!

— Nós sabemos, querida. — Maire disse, tentando ajeitar a situação – Mesmo assim, você pode começar. Diga-nos, quem você sorteou?

— Ah, mas não pode falar direto! — Maurício advertiu — Dê dicas para que a gente tente adivinhar.

— Dicas? — Live revirou os olhos, pensativa — Vejamos... É um Guardião!

— Nossa... — ironizou Shermmie — Agora ficou fácil.

Novamente, a aquariana se irritou:

— Eu quis dizer que é um Guardião HOMEM! E ele é muito bonito.

Sniper deu um passo à frente, com um sorriso convencido nos lábios:

— Obrigado, miss Live. Foi um elogio gentil da sua parte!

— Quem disse que é você? — retrucou a menina, como se jogando um balde de água fria na empolgação do inglês, que, com isso, voltou ao seu lugar, desanimado e ouvindo a gozação dos demais — Ele é um grande amigo!

Eric se empolgou:

— É meu brother Ryan!

—...Divertido e descontraído. — Live continuou.

— Não é o brother Ryan. — concluiu Eric.

— Já sei! — vibrou Sniper — É o Li!

Todos riram da piada, menos o chinês mencionado, que fuzilou Sniper com os olhos.

Timidamente, Anne também deu o seu palpite:

— Acho que deve ser o Mau.

E acertou, pois Live moveu a cabeça numa confirmação, animada.

O brasileiro entrou no círculo para receber seu presente, e deu um forte abraço em Live. No início, a indiana ficou um pouco sem graça com aquele ato, mas logo se sentiu à vontade para retribuir ao gesto.

O presente era uma camisa branca, com uma estampa da bandeira brasileira. Live sabia que o moreno tinha várias camisas de seu país, mas que adorava e, para ele, elas nunca seriam demais.

Então, era a vez de Mau falar de seu amigo secreto:

— É uma pessoa de quem eu gosto muito.

— Menino ou menina? — indagou Live, curiosa.

— “Menina”. — respondeu o Maurício, achando graça daquela forma infantil de Live se referir aos adultos que a cercavam — E tem olhos claros.

Hikari fez bico:

— Fomos excluídas, Shermmie-chan!

— Que bom. — declarou a brasileira — O Mau nunca acerta nos presentes.

Ignorando o comentário da amiga, o taurino prosseguiu:

— Ela passou por muitas dificuldades desde que conheceu esse “mundo dos Guardiões”, muitas confusões e muitas descobertas. Mas tem se mostrado forte, apesar de tudo, e hoje podemos dizer que é uma verdadeira Guardiã.

Não demorou para que todos soubessem de quem ele falava. Até mesmo a mencionada sorriu, com o rosto levemente corado diante de tantos elogios.

Mas Shermmie resolveu usar a situação para implicar um pouco:

— Até a parte de “confusões e descobertas” eu tinha certeza de que era a fraquinha, mas na segunda metade eu já fiquei em dúvidas.

Anne olhou para a amiga, confusa.

— Shermmie-chan, acha que não sou eu?

A leonina estapeou a própria testa, apenas para tentar se controlar e não estapear a loira ao seu lado. Afinal, era natal, e isso merecia um pouco de paciência da sua parte.

— É claro que é você, fraquinha! Anda, vai pegar seu presente.

Ainda de forma tímida, Anne se aproximou de Maurício e, após os dois trocarem um forte abraço, pegou seu presente. O brasileiro ainda teve que ajudá-la na árdua tarefa de conseguir abrir o embrulho. E os olhos azuis brilharam ao se depararem com uma bela e delicada boneca de porcelana, vestida com uma roupa medieval que lembrava a de uma princesa.

— Que linda! — a loira exclamou, encantada.

Tivera muitas bonecas caríssimas durante a infância, mas estava certa de que nenhuma poderia ser mais bonita do que aquela que, agora, tinha em mãos.

Mau explicou o motivo do presente:

— Disseram que deveríamos dar um presente que lembrasse a pessoa sorteada. E acho que nada poderia ser mais a sua cara do que uma boneca loira, vestida como uma princesa.

— Obrigada! — agradeceu a canceriana, emocionada.

Agora, era a vez de Anne dar as suas dicas. Ela pareceu incrivelmente tímida com a função.

— Bem... Meu amigo-secreto é uma pessoa muito séria...

— É o Li! — gritaram todos, em coro, para a revolta do mencionado.
Mas Anne os corrigiu:

— Não, não é ele. É outra pessoa muito séria.

— A Gautier? — indagou Ryan.

Anne e Sofie se olharam e ambas pareceram constrangidas com aquilo.

— Não é ela. — Anne explicou. E pensou que tinha sorte de não ter sorteado a antiga Guardiã, pois ficaria bastante sem-graça em ter que falar sobre ela. Apesar de a pessoa sorteada também não a deixar muito à vontade para a descrição. — Bem, como eu dizia, ele é muito sério e responsável, e... e...

Anne abaixou o rosto, sem saber como iria continuar. Para sua sorte, Hikari logo compreendeu a situação e deu o seu palpite para acabar logo com o mal-estar da irmã:

— É o Toshihiko?

Ela confirmou, timidamente. Não menos constrangido, Hayato se aproximou e recebeu o embrulho das mãos da canceriana. Após abri-lo, encontrou um talismã japonês. Anne explicou o presente (embora soubesse que ele certamente conhecia aquilo muito melhor do que ela):

— É um daruma. Dizem que ele realiza pedidos, e que é bom fazê-lo no primeiro dia do ano. Espero que realize o que você sonhar.

Sorrindo, Hayato olhou-a nos olhos e agradeceu, formalmente:

— Obrigado.

— De nada. — Anne respondeu, também sorrindo. E voltou para o seu lugar.

Hayato prosseguiu na brincadeira:

— Eu tirei alguém de quem gosto muito.

— A Sofie. – um grande grupo disse, em coro.

Sem graça, o japonês negou:

— Não, é outra pessoa. Eu a conheço há muitos anos e pode-se dizer que a vi crescer. Tenho por ela o carinho de um irmão — olhou para Hikari e sorriu — e espero que goste do presente que escolhi.

Empolgada, a adolescente se aproximou.

— Devia ter falado mais, seu chato. Dado mais dicas, tipo ter dito o quanto eu sou linda e legal.

Hayato apenas riu e deixou que ela abrisse o presente. Após rasgar o embrulho, um grito adolescente histérico fez doer os ouvidos de todos.

— Eu não acredito! É o Brad! É O BRAAAAD!

E ela exibiu para todos, triunfante, o box com mais de dez DVD’s de filmes com o seu ator preferido.

— Toshihiko, eu te amoooo!

— Fico feliz que tenha gostado.

Após mais alguns minutos de histeria, finalmente Hikari se recompôs para falar de seu amigo-secreto:

— Bem, ele também é um grande amigo meu. Mas é um metido, tarado, safado, sem-vergonha, canalha, convencido...

— Tá legal! — Sniper gritou, se aproximando da mestiça — Todo mundo já entendeu que sou eu, Miss Kari.

— Feliz natal, Sniper-kun!

Ainda irritado, o inglês pegou seu presente e abriu. E sua irritação deu lugar a uma felicidade extrema ao se deparar com um disco de vinil de sua banda favorita.

— Um vinil do The Beatles! Oh, God! Miss Kari, isso deve ter custado uma fortuna! Comprou em algum leilão?

— Ah, não. Nem foi caro. Eu achei num sebo.

Ele não levou a resposta a sério.

— Tá de brincadeira!

— Não, é verdade. Só me custou alguns trocados.

— Miss Kari, não precisa bancar a gentil. Sei que um vinil do The Beatles jamais custaria “uns trocados”.

— Mas custou. Com a grana que eu tinha separado para o seu presente deu pra comprar o LP e ainda sobrou para essa saia aqui, ó! — ela fez um giro, exibindo a saia pregueada vermelha que usava.

Sniper, enfim, ficou sério ao dar-se conta de que aquilo não era uma brincadeira.

— Um vinil raro de The Beatles custou menos do que esse pedaço de pano aí?

— “Menos”, não. Beeeeem menos!

— E como você aceitou uma coisa dessas? Devia ter pagado mais!

— Tá dizendo que eu deveria ter convencido o dono do sebo a me cobrar mais caro por algo que eu queria comprar?

— Estou!

— Você acha que sou idiota?

— Eu não posso aceitar uma coisa dessas! Isso é um absurdo! — ele começou a andar em círculos, enquanto sacudia o vinil e gritava — The Beatles, a melhor banda de todos os tempos!

— Se não gostou do presente, devolve. Troco na loja e uso o dinheiro pra comprar doces.

Sniper abraçou o vinil, como uma criança defendendo um brinquedo:

— De forma alguma! Darei a esse LP o valor que ele merece! — ignorando todos os olhares que mesclavam a incredulidade, o susto e o riso dos guardiões ao seu redor, Sniper meramente mudou sua expressão, passando a sorrir como se nada tivesse acabado de acontecer — Agora é a minha vez! Por uma grande sorte, sorteei uma linda lady.

Indo para o lado de Shermmie, Hikari sussurrou:

— Eu acho que é você.

Sem ter ouvido aquilo, o inglês prosseguiu:

— Uma lady muito simpática e atenciosa.

— Tá, não é você, não. — Hikari se corrigiu, sendo prontamente fuzilada pelo olhar da guardiã de Leão.

— E lindíssima! — Sniper prosseguiu.

— Quem será, hein? — indagou Hikari.

— Muito linda mesmo! — reforçou Sniper.

Bufando, Shermmie o cortou:

— Tá, já chega de elogio. É a Maire, todos já perceberam!

— Ciúmes, dear? — ele implicou.

— Por que eu teria?

— Mas você acertou. Minha amiga secreta é a Miss Maire.

Sorrindo, a ruiva se aproximou e, agradecida, recebeu o seu presente. Era algo muito mais meigo do que se podia esperar de um garanhão: um golfinho de pelúcia.

— Sei que gostas de animais. — explicou o rapaz — Mas os serviços de proteção ambiental não me deixariam comprar um de verdade para lhe dar, a não ser que fosse um gato ou um cão, mas isso é comum demais.

Maire riu.

— Fez bem então em escolher a pelúcia. Animais silvestres devem viver em seu habitat natural.

Os dois se abraçaram (ignorando os olhares nada contentes de Shermmie e Micaela), e a ruiva começou a anunciar o seu amigo secreto:

— Fiquei feliz com quem eu sorteei, mas confesso que foi meio difícil escolher o presente certo. Para isso, até pedi uma ajudinha ao Sniper. Ele me acompanhou às lojas e me ajudou a escolher algo que ele garante ser a cara dessa pessoa. Enfim, é uma menina. Uma ótima menina, aliás. Muito forte e decidida.

— Sou eu? — Live se empolgou.

Maire sorriu para ela:

— Não, minha querida. É a Shermmie. — ela olhou para a sorteada — Feliz natal, Shermmie.

Abrindo um leve sorriso, a leonina se aproximou e recebeu o seu presente. Ainda estava agradecendo quando terminou de abrir o embrulho e se deparou com algo vermelho feito com pouquíssimo pano.

— MAS O QUE É ISSO?

— Sniper disse que você iria gostar.

— É, fui eu que escolhi a cor. — comentou o escorpiano, orgulhoso.

Shermmie quis que o chão se abrisse abaixo dela, para que assim ela tivesse um lugar onde se esconder de tanta vergonha. Reparando bem, a lingerie não era de todo ruim. Pelo contrário, era uma camisola delicada e sexy, mas de muitíssimo bom gosto (era certo que o modelo fora escolha de Maire, e não daquele europeu tarado!). Mas aquilo não era algo para ela ganhar diante de tantas pessoas. O que aquele maldito inglês tinha na cabeça para dizer que ela gostaria de um presente como aquele?

— Eu vou matar você. — ela resmungou, encarando Sniper.

Ele pensou em retrucar com alguma piadinha, mas notou que ela realmente estava bufando de ódio para levar qualquer brincadeira na esportiva.

Maire voltava ao seu lugar. Mas, quando passou ao lado de Micaela, esta lhe perguntou, com a voz baixa e séria:

— Foi a uma loja de lingerie comprar um presente para ela?

— E qual o problema? — a ruiva perguntou, inocentemente.

— Não tinha nenhuma outra opção de presente menos íntima? — era quase um sussurro de tão baixa e discreta que saía a sua voz, mas estava carregada de ciúmes.

E Maire não deixou de perceber isso. Em resposta, apenas sussurrou, sorrindo:

— Comprei uma para você também. — e piscou um dos olhos, antes de seguir para o seu lugar.

Micaela sentiu o rosto corar e ficou sem resposta. Maire conhecia como ninguém a arte de deixá-la naquele estado.

Prosseguindo com a brincadeira, Shermmie retomou o fôlego para dar as suas dicas:

— Ele é irritantemente alegre, irritantemente distraído e irritantemente apaixonado pela namorada. Ele sorri o tempo todo e, apesar de ser irritante, é um cara legal.

Todos os olhares se voltaram para Eric, que parecia pensativo:

— Nossa... Quem será, hein?

— É você, Eric. — Ryan explicou, no máximo de paciência que conseguia.

— Eu? Que dahoraaaa!

Empolgado, ele foi para o centro do salão e recebeu o seu presente. Dentro de uma caixinha havia um porta-celular e um recarregador.

— Vi que o fio do seu carregador está com mau-contato. — ela observou — E você não tem uma proteção para o seu celular, desse jeito ele não iria durar muito tempo. E todos sabemos que você morreria caso ele te deixasse na mão quando a “fofuxinha” liga.

O sorriso (já enorme) de Eric tornou-se ainda maior. E até foi possível ver seus olhos marejados de emoção (um presente tão simples era o suficiente para aquilo?)

— Valeu, Shermmie-chan!

E, sem que a garota esperasse, foi surpreendida por um forte abraço. Em seguida ela se afastou, deixando Eric entregar seu presente.

— Meu amigo-secreto é um sujeito muito irado. — ele começou a contar — Tipo, meu... Ele é um cara ultraaaa gente boa. Ele é meio caladão, mas, na boa, a gente entende que é o jeito dele. Só sei que ele é um cara muito legal! Feliz natal aê, Li!

E ninguém conseguia acreditar naquilo. Na verdade, nem o próprio Qiang acreditava que aquelas palavras poderiam ser destinadas a ele.

Sem qualquer simpatia, Qiang entrou no círculo e pegou seu presente (nem mesmo Eric com toda a sua alegria ingênua teve coragem para tentar abraçá-lo!). Por uma mera curiosidade, olhou rapidamente dentro da sacola de papel onde o presente estava e constatou que se tratava de uma escultura de um dragão chinês.

Deixando aquilo de lado, apenas anunciou seu “amigo” para acabar logo com aquela brincadeira estúpida:

— Gautier.

Apenas uma voz sem qualquer emoção, a pronunciar um nome. Qiang deixou o pacote de presente no chão e seguiu em direção ao seu quarto. Por instinto, todos os que permaneceram ao redor do círculo recuaram um passo, temendo o que teria dentro daquele embrulho. Com exceção de Sofie, que permaneceu parada no mesmo lugar, seguindo o chinês com os olhos.

Well, precisamos agir com cautela, my friends. — disse Sniper, apreensivo — Alguém abre o embrulho e deixem que eu corto o fio azul.

— Mas e se o azul for o detonador? — indagou Shermmie, sarcástica.

Well... Aí eu corto o vermelho.

— Acha que vai ter tempo pra isso?

— Ao menos eu vou tentar!

Cansada daquilo, Sofie bufou e foi até o embrulho. Quando o pegou do chão e rasgou a embalagem, todos se abaixaram, assustados, protegendo a cabeça com as mãos e esperando pela explosão que não aconteceu. E, assim que se deram conta disso, olharam para a francesa que mostrava o “fabuloso” (e nada perigoso) presente que ganhara: um par de meias.

— Será bem útil, já que estamos no inverno. — ela concluiu, irônica.

— Que mau gosto pra presentes. — comentou Hikari, assombrada. — Até uma bomba teria sido mais original.

— Mas seria previsível demais. — disse Sofie, suspirando — Bem, meu amigo secreto é um bom rapaz. Alguém a quem eu respeito e aprendi a gostar no decorrer da nossa convivência. Embora no início ele parecesse paranoicamente parecido com o pai, pude perceber com o tempo que ele tem a mesma doçura da mãe, a quem considero uma amiga preciosa. Distraída, mas preciosa.

Desde o início que todos sabiam de quem se tratava, já que Ryan era o único dos rapazes que ainda não havia sido citado. Mas a declaração o emocionou. Não a ponto de levá-lo às lágrimas ou coisa do tipo, pois ele era contido demais para isso... Mas ser comparado à mãe, de repente, lhe soou como o melhor dos elogios. E isso o deixou feliz.

Um aperto de mãos foi o cumprimento formal que eles trocaram, antes de Ryan receber seu presente. Era um grosso livro de um renomado legista americano. Para qualquer um aquilo poderia parecer o mais chato dos presentes, mas era algo que Ryan desejava adquirir já há muitos meses. E isso o deixou ainda mais feliz.

Agradecendo, preparou-se para começar a falar de seu amigo, mas Live o interrompeu:

— Será que ninguém me sorteou? Eu estou sobrando!

— Fique calma, querida. — Maire a tranquilizou — A Brincadeira ainda não está terminada.

Ela fez bico, olhando ansiosa para Ryan e, assim como fez com os demais, torcendo para que seu nome fosse logo dito.

E o americano começou a falar:

— Devo confessar que, no início, não simpatizei muito com essa pessoa. Não que eu seja preconceituoso, não é isso. Mas é que eu não estava acostumado a lidar com pessoas... Vocês sabem... — ele fez uma pausa, pensando desesperadamente num adjetivo — Er... Míopes.

Todos riram, já entendendo a situação. Apenas Micaela permaneceu séria, encarando o virginiano que continuava a tentar se explicar:

— Eu sei que foi uma coisa idiota da minha parte, afinal, ser... míope... não diminui o caráter de ninguém. Mas, hoje, eu não ligo mais para o fato dela ser... míope... Mas aprendi a respeitá-la pela pessoa que ela é. Er... bem, todo mundo já sabe quem é, né?!

— Não sou eu! – anunciou Live, triste. — Eu nem sou míope! — ela não havia entendido a troca de palavras.

Micaela se aproximou, seriamente. Apenas quando parou diante de Ryan, disse:

— Obrigada por não se importar mais com o fato de eu ser... você sabe: “míope”.
E, só então, ela permitiu-se sorrir levemente. Ryan também sorriu e, ambos meio sem-graça, se abraçaram brevemente.

O virginiano voltou ao seu lugar, dando espaço para que Micaela, após abrir seu presente (uma agenda eletrônica), fizesse a revelação (óbvia) de quem havia sorteado:

— Foi uma pena ela ter ficado para o final, já que era a mais empolgada com a brincadeira. Esse é o primeiro natal dela, e espero que ainda venham muitos outros felizes como esse. — enfim olhou diretamente para Live e continuou — Hoje ela me perguntou o que era o natal, e acho que minha resposta não foi das mais poéticas ou animadoras. Eu não vou mudar minha definição e inventar coisas bonitas para definir essa data. Só posso dizer que, no que depender de mim, os seus natais serão sempre datas especiais.

Live sorriu, sentindo as lágrimas começarem a transbordar de seus olhos. Sem aguardar que seu nome fosse mencionado, correu até Micaela e a abraçou, com força. A loira retribuiu o abraço e disse, com a voz sussurrada:

— Espero que goste do presente.

— Vou adorar! — a indiana garantiu — Obrigada, tia Mic!

E, após mais alguns segundos, a menina a soltou e pegou seu presente, abrindo a embalagem. Era uma pequena escultura de uma figura hindu.

Micaela tentou explicar:

— A dona da loja de produtos indianos me disse o que isso significava, mas eu não entendi muito bem. Mas sei que você gosta dessas coisas.

Sorrindo, Live contou o que era:

— É Ganesha! Ele é o protetor de todos os seres e o símbolo das soluções lógicas. Tem um desses na porta da minha casa da Índia, para trazer proteção.

— É? – Micaela franziu a testa – Achei que fosse um elefante.

— Mais respeito! — retrucou Live. Mas, por fim, não se aguentou e riu.

E o riso se espalhou, contagiando a todos no salão. A festa de natal prosseguiu até tarde, com muita comida e interação entre todos.

Num determinado momento da noite, Hikari sentiu falta de sua mãe e saiu para procurá-la nos quartos, sem sucesso. Então, foi ao único cômodo da base onde ela poderia estar e lá a encontrou. Sofie estava sentada diante da mesa da cozinha, olhando pensativa para o que parecia ser uma foto, mas a escondeu debaixo da mesa logo que a filha entrou.

Hikari não se importou com o fato, já estava acostumada com os mistérios da mãe e, com o tempo, vinha aprendendo que insistir não a levava a descoberta alguma. Ao menos na noite de natal, queria dar um tempo naquelas insistências pela verdade.

— E aí, cansou da festa? — a adolescente perguntou.

— Só vim descansar um pouco de todo aquele barulho que vocês fazem. — Sofie respondeu, com sua indiferença habitual — Não tenho mais idade pra essas coisas.

— Sei. — Hikari se aproximou, sentando-se numa cadeira ao lado da mãe — A verdade é que você não gosta muito dessa coisa de natal.

— Não é mais a mesma coisa desde que...

— Sei, desde que a minha avó morreu. É, eu sei. Você sempre diz isso.

— Ao menos dessa vez você conseguiu ter um natal feliz, não é?
Hikari baixou a cabeça e, após alguns segundos, deixou escapar uma risada. Sofie ficou curiosa com aquilo.

— O que foi?

— Sua bobona! Meus natais sempre foram legais. Tá, você pode não ser a companhia mais divertida desse mundo... Mas acha que nunca reparei no tanto que sempre se esforçou? Nunca deixou de decorar a casa, nem de fazer, ou comprar, comidas gostosas. E também sempre ficou acordada comigo até meia-noite, me contando histórias quando eu era criança... ou ouvindo minhas histórias, depois que eu cresci.

Pela primeira vez nos últimos anos, Sofie chegara a acreditar que conseguiria passar um natal sem chorar. Porém, diante das palavras da filha, percebeu que isso mais uma vez não seria possível. Ainda que segurasse bravamente as lágrimas, o aperto em seu peito, junto ao nó na garganta, já lhe mostravam que aquela dor estava ali de volta, prestes a vir novamente à tona.

Há quase duas décadas que o natal havia deixado de ser uma data feliz em sua vida. No entanto, Hikari era o seu paliativo. Era o que lhe dava forças para enfrentar aquele festejo do qual ela tanto queria fugir. Sua vontade nesta data sempre era se encher de calmante, ir para a cama e dormir, por dois dias inteiros. Mas, ao invés disso, encarava o festejo, com todas as (falsas) alegrias e as (verdadeiras) dores que aquilo lhe proporcionava.

Sempre achara que tal esforço não era completamente satisfatório, já que, como a adolescente mesmo dissera, ela não era a mais divertida das companhias. Contudo, a declaração de Hikari lhe trouxe o alento de que nada havia sido completamente em vão.

— Mãe? — Hikari a chamou, preocupada ao notar que seus olhos azuis pareciam começar a inundar — Mãe, tá se sentindo mal? Aposto que foi aquela comida louca que o Mau e a Shermmie inventaram de fazer. O que era aquele negócio feito de pão molhado no leite e frito?

— Na verdade, eu até que achei o gosto bom. — Sofie confessou.

— Tá, eu também. Meio estranho, mas bom. Gostei muito desse lance de cada um ter que fazer alguma comida típica do seu país. A ceia ficou exótica, mas bem interessante. Sabe, o que eu mais gostei foi... — a garota se calou quando percebeu que estava começando a, como de costume, falar “que nem uma gralha”, como todos diziam. Sendo assim, resolver ir direto ao que queria falar com sua mãe desde que saiu do salão para procurá-la — Sabe, o natal foi muito legal esse ano, junto com os outros Guardiões, com a festa, os presentes e tudo mais. Mas, de repente, eu senti falta de sermos só nós duas.

Num impulso que não lhe era comum, Sofie segurou uma das mãos da filha com a sua e, olhando para as mãos unidas, declarou:

— Não importa quantas pessoas sejam. Estarei sempre com você. Minha mãe me disse isso certa vez e, mesmo ela não estando mais entre nós, todo natal sinto como se, de alguma forma, ela estivesse por perto.

Quando a primeira lágrima correu pela face de Sofie, Hikari também sentiu vontade de chorar. Não pela avó falecida, afinal, nem chegara a conhecê-la. Mas por ver o sofrimento ainda que contido de sua mãe. E algo em si lhe dizia que a dor que a mais velha carregava ia ainda muito além da perda da mãe.

— Feliz natal, mãe. — Hikari disse, apenas. E debruçou-se sobre o colo da mãe, que a aceitou num abraço contido.

— Feliz natal... Kari-chan.

Deslizando a mão suave pelos cabelos da filha, Sofie desviou o olhar para a porta da cozinha, onde avistou Hayato, observando-as com um leve sorriso entre os lábios.

Ela esforçou-se para sorrir de volta, retribuindo a cumplicidade.


Enquanto isso, no salão, a festa continuava. Eric pegou o violão e tocava (ou fazia algo semelhante a isso) canções animadas, que eram embaladas pela voz de Sniper. O inglês passara um pouco da conta nas bebidas e usava uma colher como microfone. Ryan e Anne conversavam em um canto, com a loira encantada com as histórias dos natais na família McKay (histórias estas que Ryan definia como “catastróficas”, mas que soavam bem divertidas para outras pessoas); Mau, Maire, Live e Shermmie estavam num outro canto, jogando cartas; Micaela antes observava o jogo (já que fora proibida de jogar após ganhar doze partidas consecutivas. Que culpa ela tinha se os demais não dominavam cálculos simples e necessários para aqueles jogos simplórios?), mas em determinado momento alegou estar cansada e foi para o quarto. Qiang já havia sumido há bastante tempo, desde antes do final da troca de presentes.

Passados alguns minutos, Maire também anunciou estar cansada e se retirou. Quando chegou ao quarto, encontrou a parceira sentada na cama, terminando de desligar o laptop. Na verdade, Micaela o ligara apenas para uma coisa: excluir de seu fundo de tela a velha foto com seus pais, tirada em algum natal de sua adolescência. Decidira que não precisava de lembranças antigas que só a faziam sofrer.

— Tudo bem? — Maire perguntou, parada de pé diante da porta.

— Sim. — Respondeu a loira, forçando um sorriso.

Maire caminhou até seu guarda-roupa e apanhou um embrulho, que ofereceu para Micaela:

— Feliz natal.

A geminiana olhou para o presente e franziu a testa, tornando a encarar Maire.

— Acho que não é o lugar ideal para você me dar esse tipo de coisa.

A ruiva riu, divertida.

— Não, não é “aquele” presente. Pretendo guardá-lo para lhe dar apenas quando voltarmos à nossa casinha em Madrid. Esse é outro.

Mais tranquila, Micaela pegou a caixa embrulhada. Com a outra mão, abriu a gaveta da cômoda e de lá tirou um pequeno presente, que entregou para a parceira.

— E esse é pra você.

Animada, Maire não perdeu tempo em abrir o presente. Era um frasco de seu perfume preferido.

— Mic! Sabe que eu amo esse perfume! O meu está acabando e, nessa correria das nossas vidas, ainda não tive tempo de comprar um novo.

— É, eu sei. O aroma é doce e delicado e, além de tudo, é de uma empresa que não efetua testes em animais.

O sorriso de Maire aumentou. Micaela, de fato, conhecia tudo sobre ela... Até seus argumentos e seu modo de falar.

— Não vai abrir o seu presente, Mic?

— Claro.

Micaela abriu a caixa, deparando-se com uma máquina fotográfica digital. De início, ficou um tanto surpresa com o presente, mas Maire explicou:

— Olha, eu não entendo muito de tecnologia, memória interna, resolução e megapixel, mas o rapaz da loja me garantiu que essa é uma das mais modernas do mercado. Eu sei que o natal geralmente é uma data triste para nós duas, Mic, principalmente para você. Mas acho que nós precisamos mudar isso. Se não temos nossos pais ao nosso lado, precisamos entender que não estamos sozinhas... Porque nós duas somos uma família. E, agora, temos a Live também, não é?! Vamos ter muitos natais felizes juntas... E registrar nossas novas lembranças.

Empolgada, Maire pegou a máquina fotográfica na caixa e, após verificar a bateria, juntou seu rosto ao de Mic e esticou a mão, tirando a primeira foto daquela câmera. Depois, viu a fotografia no visor e mostrou para a parceira:

— Olha, ficou linda!

Micaela sorriu levemente.

— É. Você é sempre muito fotogênica.

— Estava falando de você, sua boba!

Os olhos das duas se encontraram e, lentamente, Maire começou a aproximar o rosto do de Mic. Mas, num determinado momento, esta desviou os olhos para a porta, demonstrando que alguém chegava ao quarto nesse momento. Maire rapidamente se virou e avistou Live, que, sem graça, ameaçou dar meia-volta.

— Me desculpem! — a menina disse, envergonhada — Eu não quis atrapalhar, eu juro. É que senti sono e vim dormir, mas eu volto mais tarde... Posso dormir no outro quarto, se quiserem, e...

Maire começou a rir e fez um sinal com a mão para que Live se aproximasse:

— Não se preocupe, querida. Você não atrapalhou nada. Venha aqui!

Timidamente, a menina se aproximou Estava fortemente abraçada à escultura que havia ganhado.

— E aí, gostou do presente? – Maire indagou.

— Ah, sim! Me fez lembrar do meu avô e de minha casa na Índia!

Maire pediu para que Live se sentasse e juntou seu rosto ao dela. Puxou Micaela para que também se juntasse e, assim, esticou o braço tirando outra fotografia. Dessa vez, das três juntas. Em seguida, guardou a máquina de volta na caixa e perguntou:

— Quer dormir com a gente?

Live adorou a ideia. Não importava que já estivesse com quase treze anos e que não fosse mais nenhuma criancinha... Sabia que colo de mãe era a melhor coisa do mundo, principalmente para dormir. Dava aquela sensação gostosa de proteção e, geralmente, proporcionava sonhos bons. Sentia-se a menina mais privilegiada do mundo por ter duas mães ao invés de uma. Aliás, tinha três... Porque, sempre que adormecia próxima a Micaela e Maire, acabava por sonhar com sua mãe biológica.

Após guardarem os presentes (menos Live, que fez questão de continuar abraçada ao seu, apesar de Micaela advertir mil vezes que não queria dormir com aquele “elefante”), elas se ajeitaram na cama. Ainda conversaram bastante sobre o natal, as comidas, e a diversão na brincadeira do amigo-secreto, até que Live, enfim, pegou no sono. Micaela e Maire, também cansadas, trocaram um “boa noite” e se prepararam para dormir. Mas, logo em seguida, Mic chamou:

— Maire?

— Sim?

— Esse elefante esquisito tá olhando pra mim.

— Não fique com medo. Estou segurando a sua mão.

— Não estou com medo, Maire. Mas ele é muito estranho.

— Ele deve estar bravo porque você o chamou de elefante. Ele tem um nome. Eu não sei qual é, mas sei que tem.

Nisso, a voz sonolenta de Live foi ouvida:

— Ganesha.

Maire achou graça da situação. Já Micaela, comentou seriamente:

— Essa menina é perigosa. A gente acha que está dormindo, mas na verdade ela escuta tudo o que a gente fala.

— Ela é linda! – disse Maire, orgulhosa. — Acho melhor pararmos de falar e dormirmos, estamos atrapalhando o sono dela com essa conversa.

— Certo. Então, boa noite.

— Boa noite.

E o silêncio tomou conta do quarto por quase um minuto, até que a voz sussurrada de Maire foi novamente ouvida:

— Mic?

— Hm? — resmungou a loira, já quase adormecendo.

— Feliz natal.

— Feliz natal.

Antes de pegar no sono, Mic pensou no que faria no dia seguinte: colocaria uma nova foto no fundo de tela do seu computador.

Uma foto de sua nova família.

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Gostou? Então deixa um comentário e faça uma autora feliz! =D



8 comentários:

Camila Araújo disse...

Own!!!

Muito amor! <3!

Faz um extra de Natal depois do final do livro 3! *-*

Beijos!

Luciane Rangel disse...

Fica a ideia pro ano que vem! =)
Beijos, querida! ^^

Luciana Vizu disse...

amei *-* o Eric eh tãããooo fofo *-*

NikaSanc disse...

Ai, que lindo! *-*
Amei muito, Lulu!!!
Feliz Natal! hahahahah
Beeijos!

Fabrica dos Convites disse...

Oi Lucy, agradeço pelo belo presente. Foi muito bom ver esta turma no Natal. Aproveito para desejar um ano novo cheio de paz, saúde e amor.
Bjs, Rose.

Mireliinha disse...

Ah Luxuxu, que lindo! *_*
Meu coração se encheu de felicidade, rs. A relação da Mic, Maire e da Live é tão lindamente descrita por você... AMEI, AMEI, AMEI...

PS: Você vai trazer exemplares do livro da Mic e da Maire pra vender? Espero ansiosamente que siiiiim!

:*
Mi
Inteiramente Diva

Paola Scorpio disse...

Lindo, lindo, lindo, Lu-chan! Tava mesmo com saudades dos especiais de Guardians... E o final desse foi mais que especial.

Maria Fernanda disse...

Own ♥♥ aí meu core, não aguento mais chorar, depois de ver o Hayato vivo e a Kari-chan andando é muita emoção.